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Primeiro, o Reino. Um legado que começa dentro de casa.

Foto do escritor: Karla Peluci
Karla Peluci
8 de set.
6 min de leitura

Ontem aconteceu algo na nossa célula em família que eu quero guardar.

Talvez, daqui a alguns anos, eu volte a este relato e compreenda ainda melhor a dimensão daquele momento. Hoje, porém, consigo apenas dizer que meu coração de mãe ficou profundamente tocado e agradecido. .

Quando começamos nossa célula em família, algumas semanas atrás, decidimos que toda semana cada um de nós traria alguma coisa para compartilhar. Não precisava ser uma grande pregação. Poderia ser um versículo, um capítulo, uma história da Bíblia, uma reflexão — alguma coisa que Deus tivesse colocado em nosso coração para que pudéssemos repartir em comunhão.

Nesta semana, deixamos essa responsabilidade com o nosso filho.

E vê-lo assumir aquele momento foi algo que, para mim, não teve preço.

Vi meu filho se dedicar.

Vi a coragem dele de falar.

Vi seu empenho em procurar uma passagem.

Vi um adolescente escolhendo participar dessa jornada conosco.

E então ele trouxe:

“Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.”Mateus 6:33

Quando ouvi aquela palavra, alguma coisa dentro de mim se encaixou.

Porque esse versículo parece resumir exatamente aquilo que Deus vem tentando nos ensinar durante essa temporada. .

Nós começamos toda essa jornada preocupados com muitas coisas.

Com a obra.

Com a casa.

Com dinheiro.

Com decisões.

Com aquilo que está por vir.

Com as incertezas que surgiram.

Com o futuro.

E foi justamente em meio a um período de preocupação e insegurança vivido pelo meu esposo que alguma coisa começou a mudar dentro da nossa casa.

Eu e ele percebemos que precisávamos nos aproximar.

Precisávamos nos fortalecer e buscar mais a Deus.

Mas percebemos também que isso não poderia acontecer apenas individualmente.

Precisávamos trazer o nosso primogênito para perto.

Precisávamos fazer isso como família.

Porque, olhando para trás, reconheço que dentro da nossa casa estávamos numa frequência muito ruim, de discussões, desentendimentos, momentos em que levantamos a voz e situações em que nosso filho estava ali, vendo e absorvendo aquilo que nós, que como pais, estávamos demonstrando.

Falávamos sobre Deus, íamos à igreja, mas nunca havíamos estabelecido uma rotina em que os três sentassem juntos, semanalmente, para abrir a Bíblia, conversar sobre Deus e orar como família.

E talvez Deus estivesse esperando justamente um posicionamento nosso.

Não porque Deus precisasse que fizéssemos alguma coisa para então poder agir. Mas talvez porque nós precisávamos nos posicionar para participar daquilo que Ele já desejava fazer dentro da nossa casa.

Foi daí que nasceu nossa célula em família.

E hoje consigo perceber que aquilo que nasceu em um momento de angústia talvez estivesse carregando uma resposta muito maior do que imaginávamos.


Uma semente que não começou agora

Esse momento com o nosso filho, também me fez lembrar de muitas coisas.

Desde pequeno, sempre tive uma preocupação muito grande com a formação espiritual dele.

Eu recebi uma base cristã e sei o quanto essa base foi determinante para a mulher que me tornei e estou me tornando, e, principalmente, para os momentos difíceis que atravessei.

Se hoje consigo olhar para determinadas situações e encontrar em Deus um lugar para voltar, é porque em algum momento essa semente também foi plantada em mim.

E sempre desejei deixar isso para o meu filho.

Nem sempre aconteceu da maneira que imaginei.

Eu gostaria que ele tivesse frequentado mais a escola bíblica da igreja, que estivesse mais envolvido com amizades que compartilhem da mesma fé que ele. Tentamos. Durante algum tempo ele participou, mas, conforme entrou na adolescência, perdeu o interesse naquele ambiente.

E eu precisei entender que talvez o caminho não fosse exatamente aquele no momento.

Mas nunca quis deixar de plantar.

Lembro de sentar com ele algumas noites para fazermos devocionais.

Lembro de ler Provérbios com ele.

Lembro de comprar um livro "Sabedoria para crianças, estudando o livro de provérbios com a família Miller" de Mildres A. Martin, é sobre uma família que separava determinado dia da semana para estudarem a Bíblia juntos através de histórias baseadas no livro de provérbios — e de tentar trazer aquele hábito para nossa casa.Talvez muitas dessas coisas tenham parecido pequenas naquele momento. Algumas inclusive podem ter parecido não produzir resultado algum.

Mas ontem pensei:a semente estava lá.

Talvez ela apenas precisasse novamente de uma terra fértil, um ambiente, estímulo, exemplo e oportunidade para crescer.


Quando o exemplo dentro de casa muda

Também tenho percebido uma mudança em nosso filho desde que começamos esse movimento dentro da nossa casa.

Ele começou a demonstrar mais interesse pelas coisas de Deus. E algo aparentemente simples também participou disso, a série The Chosen.

Eu e meu marido já havíamos assistido à série várias vezes, mas agora ela começou a chamar a atenção do nosso filho. Ele começou a assistir,a se interessar, a observar Jesus.

E acredito que aquilo tenha despertado nele alguma curiosidade sobre o que significa se relacionar com Jesus, e não simplesmente saber quem Jesus é.

Isso me faz pensar novamente sobre aquilo que venho registrando nas últimas semanas:

o exemplo importa.

Talvez não bastasse dizer a ele que buscar a Deus era importante.

Ele precisava começar a ver isso acontecendo dentro da própria casa. Precisava ver o pai buscando, a mãe buscando. Precisava nos ver orando e perceber que, diante de um momento difícil, nossa resposta não seria apenas ansiedade, discussão, tentativa de controle ou preocupação.

Nossa resposta seria: "Vamos buscar a Deus.”

E alguma coisa começou a mudar na atmosfera da nossa casa.

Temos procurado estar mais próximos.Compartilhando mais palavras de fé, de oração.

Nós começamos a abrir a Palavra juntos. E nosso filho está vendo tudo isso.

Talvez o nosso posicionamento como pais tenha sido justamente o start que faltava.


E então Deus falou através do nosso filho

Por isso Mateus 6:33 ontem teve um peso completamente diferente. Poderia ter sido qualquer passagem. Mas nosso filho escolheu justamente:

“Busquem primeiro o Reino.”

E eu pensei: É isso.

É exatamente isso que Deus vem nos mostrando.

Antes da nova casa:

busquem o Reino.

Antes das respostas:

busquem o Reino.

Antes de tentar controlar o futuro:

busquem o Reino.

Antes das conquistas:

busquem o Reino.

Antes do próximo nível:

busquem o Reino.

E talvez uma das coisas mais bonitas tenha sido perceber que, dessa vez, a palavra não veio de um devocional meu, de uma pregação de um pastor.

Veio do nosso filho.

Deus usou ele para colocar diante dos três aquilo que talvez seja a chave de toda esta estação.

Isso me emocionou profundamente, me emociono agora escrevendo este relato.

Porque eu oro muito pela vida dele.

Sempre acreditei que Deus tem um propósito para cada um de nós, pro nosso filho. Sempre orei para que ele seja luz na geração dele, para que conheça profundamente a Deus e para que a vontade do Senhor se estabeleça sobre sua vida.

E ontem talvez eu tenha enxergado um pequeno fruto dessas orações.

Não quero transformar aquele momento em uma expectativa pesada sobre ele.

Quero apenas continuar cultivando o ambiente onde essa semente possa crescer.

Quero que ele tenha liberdade para descobrir sua própria caminhada com Deus.

Mas quero que, quando procurar referências, ele encontre dentro de casa.


O legado

Talvez essa seja uma das maiores percepções que tive depois da célula de ontem: existem muitas coisas que queremos deixar para o nosso filho.

Educação.

Oportunidades.

Estrutura.

Experiências.

Patrimônio.

Mas nenhuma delas será maior do que ensiná-lo onde encontrar sua base quando todas as outras coisas falharem. Nenhuma delas será tão importante como a palavra de Deus plantada em seu coração e mente.

Como pais, não estaremos fisicamente ao lado dele em todos os momentos da vida.

Ele crescerá.

Terá suas próprias decisões.

Seu trabalho.

Seus negócios.

Seus relacionamentos.

Sua própria família.

Terá alegrias e também enfrentará dias difíceis.

E existe uma coisa que desejo profundamente que ele carregue para todos esses lugares:

saber o caminho de volta para Deus, saber que Ele é seu único salvador, seu verdadeiro amigo.

Esse talvez seja o maior legado que podemos deixar para nosso filho.

E esse legado não será construído apenas através daquilo que dissermos.

Será construído principalmente através daquilo que ele ver dentro da nossa casa.

Por isso, hoje consigo olhar para aquele momento de insegurança e incertezas que iniciou todo esse movimento com outros olhos.

Talvez aquilo que parecia apenas um problema tenha sido também um chamado.

Um chamado para nos reposicionarmos.

Um chamado para nos aproximarmos.

Um chamado para mudarmos algumas coisas dentro da nossa casa.

Um chamado para voltarmos ao essencial.

E algumas semanas depois, nosso próprio filho senta diante de nós e diz:

“Busquem primeiro o Reino de Deus.”

Para mim, não poderia existir uma confirmação mais bonita.

Ainda estamos no começo, temos muito para aprender.

Ainda existem muitas coisas que Deus precisa trabalhar em nós.

Mas ontem eu vi fruto.Pequeno talvez. Mas fruto.

A semente que um dia foi plantada começou a dar sinais de vida.

E talvez, enquanto estamos tão preocupados com aquilo que Deus fará na nossa próxima casa, Ele esteja nos mostrando que um dos Seus maiores projetos já começou:

a casa que Ele está construindo dentro de nós.

Que o nosso posicionamento de hoje se transforme no legado do nosso filho amanhã.

E que, independentemente de tudo aquilo que ainda venha a ser acrescentado à nossa vida, nunca esqueçamos a palavra que Deus colocou ontem na boca do nosso próprio filho:

primeiro, o Reino.O restante Deus já tem preparado o melhor e nos será dado.


Toda a Glória e Honra ao nome de Jesus, nosso salvador e consolador.

Teu é o Reino, o Poder e a Glória para todo sempre.

Obrigada Pai!


Dedico esse texto ao meu esposo amado e filho amado. Amo vocês.

 
 
 

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