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ENTRE A SABEDORIA DOS HOMENS E A SOBERANIA DE DEUS

Foto do escritor: Karla Peluci
Karla Peluci
12 de out.
5 min de leitura

Estamos às portas de mais uma eleição. E talvez uma das palavras que melhor descrevam o coração de muitos brasileiros neste momento seja inquietação.

Vivemos cercados por notícias, disputas políticas, decisões judiciais, questionamentos sobre instituições, denúncias, acusações entre diferentes lados e uma polarização que parece não ter fim. Para muitos cristãos, tudo isso desperta indignação e, ao mesmo tempo, uma pergunta silenciosa:

Onde está Deus em meio a tudo isso?

A Bíblia responde de maneira extraordinariamente clara: Deus continua no mesmo lugar. No trono.

“Ele muda os tempos e as estações; remove reis e estabelece reis.”Daniel 2:21

Daniel escreveu em um contexto muito diferente do nosso. Ele não vivia em uma democracia e não tinha uma urna diante de si. Vivia sob impérios poderosos e reis que muitas vezes estavam muito distantes dos princípios de Deus.

Mesmo assim, Daniel sabia de uma coisa: por maior que parecesse o poder de um homem, acima daquele trono existia outro Trono.

Daniel 4:17 reforça essa verdade ao declarar que “o Altíssimo domina sobre os reinos dos homens”.

O Salmo 22:28 diz:

“Pois do Senhor é o reino; ele governa as nações.”

E Isaías 40:23 nos lembra que Deus está acima daqueles que parecem possuir grande poder nesta terra.

Isso muda completamente a perspectiva do cristão.

Deus estabelece autoridades — mas isso não significa que aprove tudo o que elas fazem

Talvez aqui esteja uma das distinções mais importantes.

Reconhecer a soberania de Deus sobre os governos não significa acreditar que toda decisão de um governante seja vontade moral de Deus, nem que toda autoridade esteja automaticamente agindo de maneira justa.

A própria Bíblia está cheia de reis e governantes que foram confrontados por Deus.

Os profetas denunciaram injustiças. Daniel permaneceu fiel a Deus mesmo diante das determinações de reis. João Batista confrontou Herodes. E quando as autoridades ordenaram aos apóstolos algo contrário à vontade de Deus, Pedro respondeu:

“É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens.”Atos 5:29

Portanto, o cristão pode respeitar as instituições e, ao mesmo tempo, desejar que elas sejam justas.

Pode orar pelas autoridades e também questioná-las.

Pode reconhecer a soberania de Deus e exercer conscientemente sua cidadania.

Quando aquilo que está oculto vem à luz

Em períodos eleitorais, muitas informações aparecem. Acusações surgem, decisões são questionadas, governos são examinados e instituições passam por um escrutínio ainda maior.

E aqui também precisamos ter discernimento.

Nem toda acusação é automaticamente verdadeira porque concorda com aquilo que pensamos. Nem toda notícia deve ser recebida sem investigação. O cristão não deveria desejar apenas que os erros “do outro lado” apareçam. Deveria desejar que toda verdade venha à luz — independentemente de quem ela favoreça ou prejudique.

Jesus ensinou:

“Não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz.”Lucas 8:17

Que essa seja a nossa oração pelo Brasil:

Senhor, traga à luz tudo aquilo que precisa ser conhecido. Onde houver corrupção, exponha. Onde houver mentira, revele. Onde houver injustiça, faça prevalecer a justiça. E onde houver acusações falsas, permita também que a verdade apareça.

Porque o nosso compromisso, antes de ser com qualquer lado político, precisa ser com a verdade e a justiça.

E então chega a urna

Existe uma diferença importante entre os tempos bíblicos e o Brasil contemporâneo.

Nós votamos.

Nossa Constituição estabelece que todo poder emana do povo, exercido diretamente ou por meio de representantes eleitos.

Portanto, existe responsabilidade diante de nós.

Orar pelo país não elimina a responsabilidade de escolher.

Confiar na soberania de Deus não significa cruzar os braços.

O cristão pode pesquisar, comparar propostas, observar a trajetória dos candidatos, examinar valores, analisar consequências e votar de consciência diante de Deus.

Por isso, talvez uma boa oração antes de votar não seja simplesmente:

“Deus, faça vencer aquele que eu quero.”

Mas:

“Senhor, dá-me sabedoria. Livra-me da manipulação, da paixão política, da mentira e do medo. Ajuda-me a enxergar com clareza e a agir de acordo com minha consciência diante de Ti.”

Mas e se aquilo que esperamos não acontecer?

Talvez essa seja a parte mais difícil.

Porque podemos votar, participar, conversar, orar e desejar mudanças — e ainda assim o resultado pode não ser aquele que imaginávamos.

É exatamente aqui que descobrimos onde realmente depositamos nossa confiança.

A Bíblia diz:

“Não confiem em príncipes, em meros mortais, incapazes de salvar.”Salmo 146:3

Governos mudam.

Presidentes mudam.

Ministros mudam.

Tribunais mudam.

Congressos mudam.

Leis mudam.

Economias mudam.

Nações atravessam ciclos.

Deus não muda.

E talvez essa seja uma das maiores tentações do período eleitoral: permitir que a política ocupe dentro de nós um lugar que pertence somente a Deus.

Quando acreditamos que nossa paz depende de determinado governante permanecer ou sair do poder, alguma coisa precisa ser reposicionada dentro do nosso coração.

Nossa esperança não está no Palácio do Planalto.

Nossa esperança não está no Congresso.

Nossa esperança não está nos tribunais.

Nossa esperança não está em um candidato.

Nossa esperança está no Senhor.

Jeremias descreve como árvore junto às águas aquele que deposita sua confiança em Deus:

“Bendito é o homem cuja confiança está no Senhor, cuja confiança nele está.”Jeremias 17:7

A árvore continua produzindo porque sua fonte não depende das circunstâncias ao redor.

E talvez essa imagem seja perfeita para nós.

Nós continuaremos caminhando

Já atravessamos diferentes governos, crises econômicas, crises políticas, pandemias, mudanças de leis, decisões com as quais concordamos e decisões das quais discordamos.

E continuamos aqui.

Trabalhando.

Criando nossos filhos.

Construindo nossas famílias.

Fazendo planos.

Empreendendo.

Servindo.

Orando.

Vivendo.

Não porque algum governo tenha sustentado cada detalhe da nossa vida, mas porque a misericórdia de Deus continua se renovando a cada manhã.

Isso não significa ignorar a política.

Significa colocá-la no lugar correto.

Precisamos de instituições fortes. Precisamos desejar justiça. Precisamos cobrar transparência. Precisamos exercer nossa cidadania. Precisamos votar com consciência.

Mas jamais podemos transformar um governo em nossa fonte de segurança.

Porque governos são temporários.

Deus permanece.

No próximo domingo, entraremos na cabine de votação e exerceremos uma responsabilidade que pertence ao cidadão.

Mas depois de votar, precisaremos fazer algo igualmente importante:

continuar confiando em Deus.

Se o resultado for aquele que desejávamos, Deus continuará sendo Deus.

Se não for, Deus continuará sendo Deus.

Se houver mudanças, Deus continuará sendo Deus.

Se nada mudar como esperávamos, Deus continuará sendo Deus.

Porque antes de existir qualquer República, qualquer presidente, qualquer tribunal ou qualquer sistema político, o Senhor já reinava.

E quando todos os governos desta terra tiverem passado, Ele ainda estará no trono.

“O Senhor estabeleceu o seu trono nos céus, e como rei domina sobre tudo o que existe.”Salmo 103:19

Essa é a nossa segurança.

Vote com consciência. Ore com discernimento. Busque a verdade. Defenda a justiça. Mas coloque sua esperança somente em Deus.

 
 
 

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